domingo, 10 de setembro de 2017

Mergulho

E sob a poesia o menino corre
às margens do Capibaribe,
brincando com a própria leveza
finge que a gravidade não pesa tanto.

O segredo pra quase voar, ele me diz,
é não ter medo do peso.
Que somos tão cidade quanto esse chão,
Em nossas veias também corre o Rio.

Ele não tem medo do Rio, nem do chão.
Talvez, no fundo,
ele tenha um pouco de medo de si
de se deixar sentir
e ser sentido.

Mas entre o peso e a leveza,
ele mergulha no Rio de si mesmo
e de maneira irresistivelmente profunda
me leva com ele.


Marina. 09/09/17

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Elis

sempre nos vendem
o novo como bom
nos escondem:
novidade é desconforto.
os novos dos quais gostamos,
na verdade,
são velhos sabores requentados.

a novidade de verdade é feita de gostos que ainda temos que aprender a sentir.

não são ruins!
mas nos são difíceis,
assim como linguagens das quais só sabemos as vogais.
e apesar de sentirmos uma
quase necessidade
de aprender a ler
isso parece nos dar muito trabalho.

é mais fácil repetir,
maquinalmente,
versos que não arrepiam mais nosso coração
do que aprender a ler,
e significar,
o amarelo das luzes que arrepiam o rio.

Nina Moura - 26/05/17