sábado, 29 de junho de 2013

Kundera me fez valorizar acasos.

    - O bater de asas da borboleta que desemboca num furacão.
    - Fatalista demais?
    - Nem tanto. O fato é que  tudo é um resultado de pequenas escolhas, ou melhor dizendo, as pequenas coisas poderiam mudar todo o decorrer dos fatos, impossibilitando certos fins.
    - Hã?
    - Encontrei um velho amigo hoje num bar, nem queria ir pra lá - estava cansada - sentei em um lugar que nunca sento, se tivesse ficado onde geralmente fico não teria o visto.
    - Onde estão as borboletas?
    - Nos acasos, você não vê? Eles são as borboletas.
Jovens unidos por sonhos;
efêmeros, os sonhos tanto quanto os jovens.
Com pouco tempo acabam-se.
Não os sonhos, os laços.
Os sonhos renovaram-se,
Os laços, são guardados,
Nostálgicos, intocados.
Velhinhos, esquecidos na gaveta.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

E daí?

  (   O tempo se tornou um tema tão vulgar. Mas, apenas hoje, me permito falar sobre ele. Talvez por um leve desconforto que me deu, uma agonia.)

Ah, já me impedistes de inventar tantos mundos,
Mas disso te isento a culpa, visto que já te culpam por tanta coisa.
Mas, assim mesmo, me deixas tão triste;
Por vezes teus caminhos se fazem tortuosos demais, não consigo te seguir.
Por vezes me deixas no início, e quando percebo, já passamos do fim.
E agora porque passas tão depressa?
O teu ritmo maquinal fere minha alma ainda humana,
O contexto mecânico não me mecanizou.

domingo, 23 de junho de 2013

Sala de espera - UTI Coronária

     Era um dia bonito, estávamos no inverno, aqui geralmente chove bastante no inverno, mas o dia estava incrivelmente ensolarado. Não estava nublado e abafado, não tinha acabado de chover, nem estava instável como os dias de inverno costumam ser em Recife, estava ensolarado. O dia estava muito bonito.
     Mas, dentro daquele ambiente artificial era impossível ver o quão bonito o dia estava, e ninguém se interessava por isso. Da entrada o cheiro de álcool em gel já podia ser sentido, mas, pior que isso, a energia do ligar era pesada. Era difícil olha nos olhos das pessoas, estavam quase sempre vermelhos e tristes. Naquele ambiente artificialmente gelado as pessoas se abraçavam com mais força, além do grande tempo que não se viam, aquele lugar fazia elas se lembrarem da fragilidade de tudo, do quão importante era cada momento.

"- Os rins voltaram a funcionar."

     Era uma notícia ótima, como não? Mas todos pareciam saber que era apenas uma gota de esperança em um quadro crítico, os olhares que evitavam se cruzar continuavam olhando para baixo ou para o teto, as lágrimas continuavam fugindo pelo canto do olho, as pessoas às vezes conseguiam conversar sobre algo sem olhares tristes, mas logo algo chamava a atenção delas para o lugar onde estavam.

domingo, 16 de junho de 2013

movimentação.

Um café quente.
Um café quente no meio de todo esse rebuliço.
O café esfriou, esfriou sem tempo de ser tomado.
O café está sozinho, parado;
O mundo, lá fora, corre.