sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Voando dentro de um carro.

Não havia uma luz acesa aqui? Ela desapareceu de repente. Agora todas as luzes que vejo são vermelhas, verdes ou amarelas - elas aparecem sem que eu perceba e se movem tão rápido que parecem linhas, correntes elétricas. Aqui está ficando frio. Eu tento alcançar a luz, mas mesmo usando todas as minhas forças não consigo - algo que eu não consigo ver me impede - eu sei que a luz existe, eu sei que ela está lá, posso ter uma ideia do que é mas não consigo alcançá-la, talvez, se o fizesse, ela deixasse de ser o que realmente é.
Está meio frio aqui. Acho que vou descançar um pouco. Se a grande bola luminosa voltar a clarear o céu, talvez fique menos escuro aqui, talvez eu consiga retornar lá pra fora. Mesmo que não chegue, posso acabar me acostumando com as coisas por aqui.

sábado, 31 de agosto de 2013

Às duas da manhã.

Às duas da manhã ainda é noite.
Muitas luzes ainda estão ligadas,
outras tantas esquecidas.

Às duas da manhã posso ouvir meus ossos estalando,
enquanto ando pela casa.
Ou mal ouvir meus pensamentos,
em salas cheias de pseudo vidas.

Às duas da manhã muitos descobrem quem são,
Outros só escondem a solidão,
entre bebidas cosmopolitas.

Com ajuda de sono ou de drogas,
Muitos estão anestesiados às duas da manhã;
Têm raros momentos tranquilos,
Enquanto não se lembram,
o que os fazem ser o que são de verdade.

sábado, 29 de junho de 2013

Kundera me fez valorizar acasos.

    - O bater de asas da borboleta que desemboca num furacão.
    - Fatalista demais?
    - Nem tanto. O fato é que  tudo é um resultado de pequenas escolhas, ou melhor dizendo, as pequenas coisas poderiam mudar todo o decorrer dos fatos, impossibilitando certos fins.
    - Hã?
    - Encontrei um velho amigo hoje num bar, nem queria ir pra lá - estava cansada - sentei em um lugar que nunca sento, se tivesse ficado onde geralmente fico não teria o visto.
    - Onde estão as borboletas?
    - Nos acasos, você não vê? Eles são as borboletas.
Jovens unidos por sonhos;
efêmeros, os sonhos tanto quanto os jovens.
Com pouco tempo acabam-se.
Não os sonhos, os laços.
Os sonhos renovaram-se,
Os laços, são guardados,
Nostálgicos, intocados.
Velhinhos, esquecidos na gaveta.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

E daí?

  (   O tempo se tornou um tema tão vulgar. Mas, apenas hoje, me permito falar sobre ele. Talvez por um leve desconforto que me deu, uma agonia.)

Ah, já me impedistes de inventar tantos mundos,
Mas disso te isento a culpa, visto que já te culpam por tanta coisa.
Mas, assim mesmo, me deixas tão triste;
Por vezes teus caminhos se fazem tortuosos demais, não consigo te seguir.
Por vezes me deixas no início, e quando percebo, já passamos do fim.
E agora porque passas tão depressa?
O teu ritmo maquinal fere minha alma ainda humana,
O contexto mecânico não me mecanizou.

domingo, 23 de junho de 2013

Sala de espera - UTI Coronária

     Era um dia bonito, estávamos no inverno, aqui geralmente chove bastante no inverno, mas o dia estava incrivelmente ensolarado. Não estava nublado e abafado, não tinha acabado de chover, nem estava instável como os dias de inverno costumam ser em Recife, estava ensolarado. O dia estava muito bonito.
     Mas, dentro daquele ambiente artificial era impossível ver o quão bonito o dia estava, e ninguém se interessava por isso. Da entrada o cheiro de álcool em gel já podia ser sentido, mas, pior que isso, a energia do ligar era pesada. Era difícil olha nos olhos das pessoas, estavam quase sempre vermelhos e tristes. Naquele ambiente artificialmente gelado as pessoas se abraçavam com mais força, além do grande tempo que não se viam, aquele lugar fazia elas se lembrarem da fragilidade de tudo, do quão importante era cada momento.

"- Os rins voltaram a funcionar."

     Era uma notícia ótima, como não? Mas todos pareciam saber que era apenas uma gota de esperança em um quadro crítico, os olhares que evitavam se cruzar continuavam olhando para baixo ou para o teto, as lágrimas continuavam fugindo pelo canto do olho, as pessoas às vezes conseguiam conversar sobre algo sem olhares tristes, mas logo algo chamava a atenção delas para o lugar onde estavam.

domingo, 16 de junho de 2013

movimentação.

Um café quente.
Um café quente no meio de todo esse rebuliço.
O café esfriou, esfriou sem tempo de ser tomado.
O café está sozinho, parado;
O mundo, lá fora, corre.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Olhos

Nos teus cílios tão grandes e alongados caberia toda admiração do mundo; 
mas não o que sinto por ti. 
Em teus olhos, sempre cansados, 
Pequenos, apertados, 
Tenho o prazer de perder-me. 
A tua pele tão escura, o teu cabelo tão negro. 
Você, como um todo e nos mínimos detalhes, me causa vertigem. 

Frio na barriga de admirar-te. 

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Seja gentil o bastante pra ignorar as besteiras e considerar o que realmente importa. - trecho.

  '...feliz aniversário! Por mais um ano de vida, um ano a menos ou a mais, a dualidade de aniversariar me intriga. O fato é que eu te desejo tudo de bom que há nesta vida, não que tudo venha fácil ou algo assim, mas que você saiba lidar com todo o tipo de situação com o jogo de cintura que couber. Te desejo que, seja o que for que você decida fazer, suas escolhas sempre te levem para um caminho próspero e que te deixe (acima de tudo) feliz. Eu te desejo muita curtição, muita felicidade, muita saúde...
    Que saibas 'tirar' a parte boa de cada situação difícil, que você seja menos orgulhoso e saiba dividir e desabafar quando está precisando fazer isso, que saiba que precisar de outras pessoas não é fraqueza nem nada do tipo. Que, depois de se divertir bastante kk, encontres alguém que te faça bem e te torne os melhor que és e que esta te acompanhe no resto de tua vida. Te desejo grandes amizades, muitas paixões e amores quantos forem necessários pra você encontrar alguém que te mereça.
    Que teus infinitos se dilatem, tua barba cresça, que nunca faças algo importante por conta do que outras pessoas vão falar. Que você se entregue à vida de maneira integral porém não tão insana. Que tenhas alguns momentos de insanidade pura, todos precisamos destes, mas que não sejam maioria. Te desejo, enfim, uma grande vida, querido amigo. Nada mais do que você merece, você sabe que merece. Espero que mesmo de longe você sempre esteja aqui pertinho de mim, conversando madrugadas à dentro...'

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

    E se eu te disser que tens belos olhos? Seus cílios alongados e seu olhar doce tornam o amanhecer ao seu lado mais agradável. Os olhos são tão doces quanto você, carinhosos e mansos, misteriosos também. Você acariciando meu cabelo pra me acordar, ou beijando meus ombros quando o cafuné não funciona. Teu carinho te segue em todos os teus atos, principalmente em teu olhar.
  
                                                                                 ...

                                        Seus olhos me deixam mais perdida do que eu jamais estive.
                                                                                 
                                                                                 ...
    

     Outra coisa que torna o amanhecer ao teu lado melhor é a barba mal feita, aquela que tu nunca deixas crescer (mesmo com meus pedidos infindos), mas que me rouba arrepios e sorrisos pela manhã.

[pedaços de uma carta aos belos olhos]

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

(Des)sonolência 1

Vou escavar meu peito pra sangrar esta paixão profana,
E assim voltar a minha insana convicção de que poeta não ama.
Carrega consigo o peso do mundo,
Pois prosa lhe cabe, mas dos verdadeiros sentimentos
é privado, banido, gozado.

Poeta só sente a tristeza de falar e não sentir.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Não existe nada mais 'dolorido' do que um papel em branco.
Um papel em branco enquanto a mente enlouquece.
Um papel em branco enquanto o coração quase infarta.

As ideias se mostram impotentes,
O papel duro demais não dá brechas.
Não existe nada mais duro do que um papel em branco.

Porque pra quem já aprendeu a escrever fazendo verso
Nada dói mais do que a impotencia de fazê-lo.
Porque rima é diversão, distração de quem faz.

Um papel em branco é um coração que não sabe mais amar.